Aumento de oferta de celulose reduz preços em 25% na China, com impacto de nova fábrica em MS
Nova unidade de produção da Suzano em Ribas do Rio Pardo (MS) pressiona preços no maior mercado global, enquanto especialistas avaliam estabilização e redução da produção pela empresa
A crescente oferta de celulose de fibra curta, em especial proveniente da nova fábrica de da Suzano em Ribas do Rio Pardo (MS), provocou uma queda de aproximadamente 25% nos preços da commodity no mercado chinês, principal comprador global. Em apenas três meses, os valores passaram de US$ 740 para US$ 560 por tonelada. Apesar de sinais de estabilização, especialistas e representantes da indústria ainda mantêm cautela.
“Não descartamos totalmente uma nova queda. Trabalhamos com os dois cenários [que os preços tocaram piso e de mais correção]. É preciso observar como o mercado vai reagir à oferta adicional nos próximos meses”, afirmou uma fonte do setor.
Outro executivo de uma grande produtora acrescenta que os preços estão próximos ao piso, citando fatores como o estímulo econômico na China, o atual valor abaixo do custo de produção para produtores do Hemisfério Norte, e desafios logísticos, que podem sustentar as cotações nos níveis atuais.
POSSÍVEL RECUPERAÇÃO NO SEGUNDO SEMESTRE
Entre analistas, prevalece uma visão mais otimista. Rafael Barcellos, do Bradesco BBI, aponta que a demanda tende a ser sazonalmente mais forte no segundo semestre, além da migração de demanda de celulose de fibra longa para fibra curta, impulsionada pela redução de capacidade produtiva no Hemisfério Norte. “Com o mercado de fibra longa mais apertado, o preço da fibra curta fica mais resiliente. Isso aumenta a diferença entre as fibras, resultando na substituição”, explicou Barcellos. Ele também cita os estoques baixos nas papeleiras e o pacote de estímulos na China como fatores que podem favorecer a demanda.
Para Daniel Sasson, do Itaú BBA, há sinais de que o consenso entre os consumidores é de que os preços estão próximos ao piso. “As empresas têm falado que os pedidos em volume voltaram a níveis normalizados e o fato de os produtores de papel estarem comprando [mais] indica que nem eles esperam grandes quedas à frente”, comentou.
PRODUÇÃO DA SUZANO É REDUZIDA
No lado da oferta, a Suzano anunciou uma redução de 4% na produção de celulose de mercado, excluindo os volumes do Projeto Cerrado, cuja fábrica começou a operar em julho. A estimativa é de que a nova unidade produza 900 mil toneladas no próximo ano, das quais 700 mil serão destinadas ao mercado. Segundo o BTG Pactual, a Suzano deve retirar cerca de 400 mil toneladas de celulose de fibra curta do mercado este ano, o que pode ajudar a sustentar os preços.
A decisão de reduzir a produção já havia sido tomada em 2022 e contribuiu para a recuperação dos preços. “Isso é uma sinalização de que aqueles volumes que eles deixaram de produzir [em 2023] não devem retornar ao mercado, ao menos por enquanto”, avaliou Sasson.
Com a oferta adicional de Ribas do Rio Pardo (MS) prevista para impactar mais fortemente o mercado no quarto trimestre e a continuidade da produção reduzida da Suzano, a pressão sobre os preços pode ser amenizada nos próximos meses, segundo especialistas.






