InvestimentosMercadoNotícias

Bracell obtém financiamento bilionário para expansão florestal em Mato Grosso do Sul

Linha de R$ 1,5 bilhão contratada junto ao BTG Pactual permitirá recuperação de 54 mil hectares degradados no Cerrado e apoiará projeto industrial estimado em US$ 4 bilhões

A Bracell, produtora de celulose controlada pelo grupo asiático Royal Golden Eagle (RGE), contratou uma linha de crédito de R$ 1,5 bilhão junto ao BTG Pactual para financiar o plantio de florestas de eucalipto em áreas degradadas de Mato Grosso do Sul. Os recursos apoiarão a implantação da nova fábrica da companhia em Bataguassu, projeto estimado em US$ 4 bilhões.

O financiamento integra o segundo leilão do Eco Invest Brasil, programa que combina recursos públicos e privados para impulsionar investimentos sustentáveis no país. Maior vencedor entre os bancos privados nesta etapa, o BTG Pactual passou a contar com R$ 4,9 bilhões destinados à recuperação produtiva de áreas degradadas.

Do total ofertado pelo banco, formado por 40% de recursos do Tesouro Nacional e o restante captado junto a investidores, o compromisso é viabilizar a restauração de 164 mil hectares, transformando essas áreas em sistemas de produção agropecuária e florestal.

O contrato firmado com a Bracell foi o primeiro assinado dentro dessa iniciativa e representa cerca de um terço da área total prevista pelo banco. A operação prevê a recuperação de 54 mil hectares no Cerrado. Com prazo de dez anos, a linha de crédito permitirá que a companhia avance com as obras da nova unidade ainda neste ano.

A expectativa é que a fábrica entre em operação em 2029, com capacidade de produção de 2,8 milhões de toneladas de celulose por ano.

“Essa operação é um ganha-ganha: o prazo compatível com o ciclo do eucalipto, de sete anos, a custo competitivo, com recuperação de terras degradadas”, afirmou o sócio responsável pela área de crédito corporativo do BTG, Rogerio Stallone.

Segundo o executivo, as condições oferecidas pelo Eco Invest Brasil foram determinantes para viabilizar o investimento em recuperação de áreas degradadas. Em cenário tradicional de mercado, o projeto poderia não sair do papel.

Por e-mail, o vice-presidente de Finance Banking da Bracell, Claudio Pitchon, disse que a operação permitirá a “expansão da base florestal, além de contribuir para a captura e estocagem de carbono”.

De acordo com o executivo, a Bracell está entre as maiores tomadoras de empréstimos verdes do país. “A estrutura da operação reforça o avanço de soluções financeiras voltadas à agenda climática no Brasil, conectando capital privado a projetos com impacto ambiental verificável.”

A companhia, que possui fábricas na Bahia e em São Paulo e figura entre as maiores produtororas de celulose solúvel do mundo, não divulga o tamanho de sua base florestal no país. Ainda assim, mantém o compromisso de conservar um hectare de vegetação nativa para cada hectare de eucalipto plantado.

Para Rafaella Dortas, sócia e diretora de ESG do BTG, o banco avaliou previamente os critérios socioambientais exigidos pelo programa e concluiu ter capacidade técnica para acompanhar os indicadores previstos, como recuperação de áreas e estocagem de carbono. “É uma operação competitiva do ponto de vista financeiro e executável em termos de riscos”, afirmou.

Além da operação com a Bracell, o BTG também concluiu recentemente a captação de US$ 1,24 bilhão para seu fundo de reflorestamento, atualmente apontado como o maior do mundo.

Fonte
Valor Econômico
Mostrar mais
Botão Voltar ao topo