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Celulosa Argentina inicia nova etapa com foco na recuperação operacional

Aquisição por US$ 1 marca o início da reestruturação de empresa centenária em meio ao cenário econômico argentino

Após anos atuando no mercado financeiro internacional, o investidor Esteban Nofal voltou à Argentina com foco em ativos em dificuldade, e encontrou na indústria de celulose uma oportunidade de recuperação. Ele adquiriu o controle da Celulosa Argentina SA, tradicional fabricante de celulose e papel, por US$ 1, após a empresa entrar com pedido de proteção contra falência em meio a um ambiente econômico desafiador.

A empresa, com mais de um século de história, enfrenta dificuldades em um cenário de retração do setor manufatureiro argentino, mesmo com o avanço de áreas como petróleo e mineração sob a gestão do presidente Javier Milei. A estratégia de Nofal é reestruturar a operação enquanto negocia com credores e injeta novos recursos, mirando uma possível expansão no longo prazo.

“Se você nasceu na Argentina e se importa com finanças, você respira crise”, disse Nofal. “Para mim, o melhor ativo que um investidor pode ter é comprar barato”, adicionou.

A aquisição foi concluída rapidamente, após apenas um mês de análise. No dia da assinatura, outro grupo interessado ainda realizava diligências, mas acabou perdendo a oportunidade.

“Muitas pessoas que gerenciam dinheiro têm essa visão sobre o capital privado em países como a Argentina”, disse Nofal em entrevista nos escritórios de seu fundo, o Cima Investments SA, em Buenos Aires. “Você não pode ser alguém que consulta empresas de assessoria. Você precisa ser ágil. Precisa tomar decisões na hora”, acrescentou.

 

SETOR DE CELULOSE

A Celulosa Argentina tornou-se um exemplo das dificuldades enfrentadas pela indústria de base no país, impactada por custos elevados, instabilidade econômica e câmbio desfavorável. Apesar do otimismo com a recuperação econômica, o setor ainda enfrenta desafios estruturais.

“No fim das contas, por que Celulosa não consegue dar lucro? Por causa da moeda”, disse ele. “Não ajuda em nada ser o país mais caro do mundo, provavelmente, considerando o que oferece”.

Ainda assim, Nofal afirma estar satisfeito com os primeiros passos da reestruturação e aposta em uma melhora do cenário macroeconômico para impulsionar a empresa.

ESTRATÉGIA FOCADA EM ATIVOS EM CRISE

A aposta na Celulosa Argentina faz parte de uma estratégia mais ampla do investidor, que se especializou na compra de ativos “distressed”. Recentemente, ele também adquiriu dívidas da agroexportadora Vicentin, outro caso emblemático da crise empresarial no país.

Com experiência acumulada em instituições como Oppenheimer e Morgan Stanley, Nofal construiu sua carreira explorando oportunidades em mercados voláteis. Para ele, o histórico de instabilidade da Argentina oferece terreno fértil para esse tipo de investimento.

O ex-trader e empresário argentino Esteban Nofal — Foto: Bloomberg
Empresário argentino, Esteban Nofal. (Foto: Bloomberg)
Fonte
Valor Econômico
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