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Celulosa Argentina registra queda de receita e inicia reestruturação operacional

Resultados do semestre encerrado em novembro 2025 evidenciam crise financeira, paralisações industriais e reestruturação após mudança no controle acionário

A Celulosa Argentina divulgou os resultados financeiros do semestre encerrado em 30 de novembro de 2025, que evidenciam a gravidade da crise enfrentada pela companhia e, ao mesmo tempo, o início de uma etapa de reorganização operacional. O período foi marcado por paralisações produtivas, dificuldades financeiras, mudança no controle acionário e a adoção de uma nova gestão, liderada por Hernán Bagliero.

No período analisado, o grupo apurou um prejuízo líquido de $102.087,2 milhões (em pesos argentinos), acompanhado por uma retração de 70% da receita consolidada, que somou 48.682,2 milhões. O desempenho reflete a queda da demanda e a interrupção das atividades industriais ao longo do semestre.

Na unidade Celulosa Argentina, a receita das atividades ordinárias recuou 74%, enquanto o custo das vendas apresentou redução mais limitada, de 49%. Segundo a companhia, a diferença está relacionada à elevada participação de custos fixos, que permaneceram pressionando os resultados mesmo com as fábricas inativas durante parte relevante do período.

Entre as subsidiárias, a Fanapel registrou receita de $9.142,9 milhões, ante $11.523,4 milhões no mesmo intervalo do ano anterior. Já a Forestadora Tapebicuá contabilizou $3.051,7 milhões em receita, queda de cerca de 77% na comparação anual.

A empresa atribui o resultado da Forestadora Tapebicuá à paralisação da produção iniciada em 11 de agosto de 2025, situação que se manteve até a divulgação das demonstrações financeiras. Durante o semestre, a subsidiária limitou suas atividades à comercialização de estoques remanescentes.

Diante da incapacidade de cumprir compromissos financeiros, o Conselho de Administração da Forestadora Tapebicuá solicitou a abertura de um processo preventivo de falência e informou que avalia alternativas para viabilizar a retomada da operação industrial.

No horizonte de 2026, a companhia reconhece que atravessa, desde 2024, o período mais crítico de sua história recente, marcado por retração da demanda, inadimplência e escassez de capital de giro. O cenário levou à paralisação das atividades, ao pedido de recuperação judicial e, posteriormente, à venda da empresa no fim de setembro.

Com a saída dos antigos acionistas e a entrada do grupo Nofal, que passou a deter 45,5% do capital, a prioridade passou a ser a recomposição do capital de giro. O plano de recuperação incluiu uma linha de crédito de até $18 milhões, utilizada para regularizar o pagamento de salários e permitir a retomada gradual do parque industrial. Em 30 de novembro, as unidades de Capitán Bermúdez e Zárate já operavam com 100% da capacidade instalada.

Segundo a administração, concluída a fase de reativação operacional, o foco será consolidar a sustentabilidade industrial e fortalecer a atuação comercial, com prioridade ao atendimento do mercado interno e à destinação do excedente à exportação, em um ambiente econômico considerado mais favorável à atividade industrial.

Fonte
La Nación
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