Celulose fortalece competitividade brasileira no mercado dos EUA
Com 82% da participação em 2024, país amplia competitividade com custos menores, logística favorável e novos projetos bilionários em expansão
O mercado norte-americano segue estruturalmente dependente de importações de celulose, que representaram cerca de 11% da demanda total em 2024. Nesse cenário, o Brasil consolidou-se como principal fornecedor de celulose de fibra curta (hardwood), respondendo por 82% desse volume, sustentado por custos reduzidos, florestas de eucalipto de rápido crescimento e plantas industriais de grande escala.
O país também ganhou relevância no comércio global, responsável por mais da metade das exportações mundiais de celulose de fibra curta em 2024. Entre os fatores que explicam esse desempenho estão os baixos custos de produção, o ciclo curto do eucalipto, em torno de sete anos, apoiado em pesquisa genética avançada, e os investimentos contínuos em fábricas integradas.
Grandes projetos de expansão reforçam essa trajetória: o Projeto Sucuriú, da Arauco (MS), deve alcançar 3,5 milhões de toneladas anuais até 2027; o Projeto Natureza, da CMPC (RS), pode adicionar até 2,5 milhões até 2029; e a Bracell projeta ampliar sua capacidade em mais de 5 milhões de toneladas até o fim da década.
A diferença de preços entre fibras também favorece a celulose brasileira. Em 2024, a distância entre fibra longa (softwood) e fibra curta chegou a US$ 300 por tonelada na Costa Leste dos EUA, aumentando a competitividade da fibra de eucalipto nacional, especialmente em papéis tissue e embalagens. Mesmo com o frete marítimo, o produto brasileiro segue mais competitivo que o norte-americano e o europeu.
O transporte marítimo é outro diferencial, já o Brasil até a Costa Leste dos EUA não sofre com gargalos em canais estratégicos e se beneficia da proximidade com grandes fábricas em estados como Geórgia, Alabama e Carolina do Sul. Os custos de frete ficam entre US$ 100 e US$ 150 por tonelada, e os portos norte-americanos receberam investimentos bilionários em infraestrutura, ampliando a capacidade de recepção.
Com a China reduzindo suas importações devido ao crescimento da produção interna, os EUA se consolidam como destino estratégico para a celulose brasileira. Nos próximos cinco anos, a tendência é de expansão dessa participação, com possibilidade de empresas nacionais adquirirem ativos nos EUA para substituir a produção local de maior custo por celulose importada do Brasil.
Segundo análise da RaboResearch, “o Brasil está bem-posicionado para se consolidar como líder no fornecimento de celulose ao mercado norte-americano, sustentado por baixos custos, investimentos em capacidade produtiva e logística favorável”.











