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CMPC avalia transferência do Projeto Natureza para o Paraguai em meio a impasse sobre licenciamento

Empreendimento prevê nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro (RS), investimentos bilionários e operação estimada para 2029, enquanto o projeto aguarda definição sobre o processo ambiental

A CMPC avalia a possibilidade de transferir para o Paraguai o Projeto Natureza, que prevê a implantação de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro (RS), caso não haja uma definição judicial sobre o licenciamento ambiental até o fim de 2026. A informação foi divulgada pelo diretor-geral da companhia no Brasil, Antonio Lacerda.

O empreendimento prevê investimentos entre R$ 25 bilhões e R$ 27 bilhões e capacidade produtiva de 2,5 milhões de toneladas de celulose por ano. Segundo o executivo, a indefinição relacionada ao processo de licenciamento já começa a impactar o cronograma da iniciativa.

“Até o final do ano, no máximo. Se não houver definição, o projeto perde posição na fila dos fornecedores de tecnologia e pode atrasar de dois a três anos”, afirmou o diretor.

De acordo com Lacerda, a manutenção do cenário atual poderá levar a empresa a considerar o Paraguai como alternativa para receber o investimento. “Lá tem madeira e previsibilidade jurídica”, disse.

IMPASSE ENVOLVE LICENCIAMENTO AMBIENTAL

O principal ponto de discussão está relacionado a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, que questiona o processo de licenciamento ambiental do projeto.

A ação debate a necessidade de realização da Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) junto a comunidades indígenas, quilombolas e pescadores potencialmente impactados pelo empreendimento.

Durante entrevista, Lacerda classificou a exigência como inviável para o andamento do projeto. “Isso cria um imbróglio jurídico gigantesco e inviabiliza o projeto”, declarou.

O executivo também afirmou esperar um posicionamento da Advocacia-Geral da União contrário ao entendimento apresentado pelo MPF.

PROJETO PREVÊ OPERAÇÃO EM 2029

Segundo a CMPC, caso o impasse seja solucionado, as obras poderiam ser iniciadas ainda neste ano. A estimativa é concluir a construção em aproximadamente 30 meses, com início da operação previsto para agosto de 2029.

Até o momento, a companhia informa já ter investido cerca de US$ 400 milhões no desenvolvimento do projeto.

Além da planta industrial em Barra do Ribeiro, a empresa avalia a implantação de um terminal próprio no Porto de Rio Grande para apoiar o escoamento da produção de celulose. No entanto, esse projeto também enfrenta discussões relacionadas ao licenciamento ambiental.

EMPRESA REFORÇA CONFIANÇA TÉCNICA NO PROJETO

A CMPC sustenta que possui respaldo técnico quanto aos impactos ambientais da futura unidade, especialmente em relação à geração de efluentes. A companhia cita estudos realizados ao longo de mais de dez anos em sua unidade de Guaíba como base para defender a viabilidade ambiental do empreendimento.

Antonio Lacerda afirmou que tanto a operação brasileira quanto a matriz chilena acompanham a evolução do projeto no Rio Grande do Sul. “O sentimento da empresa é de indignação”, complementou.

Fonte
Jornal do Comércio
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