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Desverticalização na Europa e nos EUA pode abrir espaço para avanço da Suzano

Negociações com fabricantes e mudanças no modelo de suprimento indicam potencial de expansão para a celulose brasileira em mercados estratégicos

O movimento de desverticalização de fábricas na Europa e na América do Norte, impulsionado pelos altos custos operacionais, pode ampliar o espaço para a celulose da Suzano nesses mercados. Indústrias que antes produziam sua própria matéria-prima agora avaliam comprar celulose de fornecedores como a companhia brasileira.

“Temos falando com três a quatro fabricantes para passar de um modelo verticalizado para integrado com a Suzano, mas não tem nada efetivo. Se acontecer, tiraremos volume de mercados com menor rentabilidade para atender a esses clientes”, afirmou Leonardo Grimaldi, vice-presidente executivo de comercial e logística de celulose, em coletiva com jornalistas.

Segundo estimativas da empresa, cerca de 15% da produção global de celulose de fibra curta de eucalipto opera hoje com margens negativas, enquanto o quadro é ainda mais crítico para a fibra longa. Para Grimaldi, o atual nível de preços é “insustentável” e tende a acelerar fechamentos definitivos ou paradas não programadas ao longo do segundo semestre.

Ele destaca que, nos quatro primeiros meses desta segunda metade do ano, houve aumento de 35% a 40% nas paradas não programadas em comparação com todo o primeiro semestre. “Nossa tese é que, com tantas incertezas geopolíticas, todo mundo esperou para ver como esse novo mundo ia se desenhar. Agora que está mais claro, tanto paradas permanentes quando paradas comerciais programadas vão acelerar de forma mais intensa”, disse.

Ao ser questionado sobre a joint venture com a Kimberly-Clark, Grimaldi informou que não haverá impacto nos volumes de celulose destinados ao mercado. “O contrato com a KC precede a JV. Eles continuarão sendo um cliente relevante, não havendo qualquer impacto no volume de celulose de mercado”, afirmou.

Mesmo diante do cenário desafiador de preços, a Suzano mantém sua estratégia de investimentos voltada à competitividade e à redução de custos. “Temos um foco grande em geração de caixa, para que a companhia esteja mais forte quando esse mercado voltar”, disse Marcos Assumpção, vice-presidente executivo de finanças e relações com investidores.

Fonte
Valor Econômico
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