A Edge, subsidiária da Cosan, assinou seu primeiro contrato de longo prazo para o fornecimento de gás natural liquefeito (GNL). O acordo será destinado à LD Celulose, fabricante de celulose solúvel resultante da joint venture entre a austríaca Lenzing e a brasileira Dexco.
O contrato inaugura um modelo inédito de fornecimento da Edge, que atenderá uma indústria localizada fora da rede de distribuição de gás canalizado. Além disso, marca a transição energética da LD Celulose, localizada no Triângulo Mineiro, que deixará de usar óleo pesado em favor do GNL, considerado uma solução mais sustentável.
A parceria prevê o fornecimento de 100 mil metros cúbicos diários (m³/dia) de gás natural equivalente por um período de oito anos. O GNL será transportado do Terminal de Regaseificação da Edge (TRSP), na Baixada Santista, até a unidade da LD Celulose por caminhões movidos ao mesmo combustível.
Segundo Demétrio Magalhães, CEO da Edge, o uso do GNL trará benefícios ambientais e eficiência ao processo: “Haverá uma redução estimada de cerca de 30% na pegada de carbono, além de uma diminuição significativa na emissão de material particulado, com a substituição do óleo combustível pelo GNL. Este é o primeiro contrato que firmamos com uma indústria fora da rede, e o fornecimento será realizado por caminhões movidos a GNL”, explicou.
A LD Celulose, cuja fábrica possui capacidade de produção de 500 mil toneladas de celulose solúvel por ano, espera reduzir 31% das emissões de CO2 apenas no forno de cal, equipamento que passará a usar o gás natural. Silvio Costa, CEO da LD Celulose, destacou a importância estratégica do acordo: “O contrato é importante para a mudança de matriz energética com a troca do óleo 1B [óleo pesado] para o gás natural (…). O contrato está também calcado no pilar econômico. Este é um cálculo a ser feito, mas a gente espera ter um range [variação percentual relacionada ao benefício econômico] entre 8% e 10%”, afirmou.
Apesar das limitações da infraestrutura brasileira, que tornam o modal rodoviário menos competitivo em relação às redes de gasodutos, Costa defendeu a escolha: “Frente à necessidade de impulsionar a transição energética de forma economicamente viável, a escolha pelo transporte do gás foi uma decisão acertada”, completou.
Magalhães ressaltou ainda que o GNL é competitivo em distâncias de até 1.200 quilômetros do TRSP, e a fábrica da LD Celulose está a cerca de 700 quilômetros do terminal, assegurando a viabilidade do fornecimento e a substituição de energéticos mais poluentes.






