Empresas chinesas pressionam mercado de celulose e desafiam expansão da Suzano
A redução da demanda chinesa por celulose e o aumento da oferta global trazem desafios para novos projetos no setor até 2028
A busca de empresas chinesas de papel para produzir sua própria celulose está impactando a demanda pela celulose de fibra curta, principal produto da brasileira Suzano, uma das maiores empresas do setor no mundo. O cenário, combinado com a entrada de novas fábricas na América do Sul, deverá resultar em um excedente de produção global até 2028, segundo Leonardo Grimaldi, vice-presidente executivo da Suzano para comercial e logística de celulose.
“Qualquer novo projeto de investimento em celulose terá um cenário mais desafiador”, afirmou Grimaldi.
Os comentários foram feitos após o CEO da Suzano, João Alberto Abreu, indicar, em outubro, que os negócios na China mostram sinais de estabilização, apesar da erosão registrada no terceiro trimestre. A China representa cerca de 40% das vendas da companhia.
INCERTEZAS SOBRE NOVA FÁBRICA
As ações da Suzano registraram alta de aproximadamente 25% no último ano no Brasil. Recentemente, a empresa iniciou as operações de sua maior fábrica de celulose, localizada em Mato Grosso do Sul. Contudo, segundo Grimaldi, o excesso de oferta e os preços mais baixos colocam em xeque os planos de construção de uma nova unidade.
“Os planos para a construção de uma nova fábrica estão sendo questionados, pois o potencial de retorno seria reduzido em um cenário de excesso de oferta e preços mais baixos”, explicou o executivo.
Ainda assim, a Suzano vê possíveis vantagens em sua estrutura de baixo custo de produção. Em mercados com preços deprimidos, produtores com custos mais altos podem ser forçados a fechar fábricas, o que abriria espaço para as operações da Suzano.
EXPANSÃO ESTRATÉGICA
Sobre fusões e aquisições, João Alberto Abreu descartou movimentos de grande impacto no curto prazo.
“Pequenas aquisições ainda podem ocorrer. A empresa ainda quer crescer no negócio de embalagens nos EUA e vê oportunidades para investimentos orgânicos ou fusões e aquisições”, destacou Fabio Almeida de Oliveira, vice-presidente executivo de papel e embalagens.
No início deste ano, a Suzano tentou, sem sucesso, adquirir a International Paper, mas a busca por oportunidades estratégicas continua no radar da companhia.





