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Fastmarkets aponta liderança da América Latina em celulose de fibra curta e vantagem competitiva global

Análise destaca crescimento da BHKP, custo estrutural mais baixo na região e aumento da demanda asiática como vetores do mercado

A América Latina vem consolidando sua posição como principal polo global de produção e exportação de celulose de fibra curta (BHKP), impulsionada por vantagens estruturais de custo, expansão contínua de capacidade e mudanças no fluxo internacional de demanda. A análise foi apresentada por Rafael Barisauskas, economista sênior para celulose e papel na América Latina da Fastmarkets, durante o Pulp Summit Latinoamérica 2026. 

Atualmente, a fibra curta representa quase 60% do consumo global de celulose, com crescimento consistente ao longo das últimas décadas. Esse avanço ocorre principalmente às custas de outros tipos de fibra, consolidando a BHK como o principal insumo para aplicações como tissue, papéis gráficos e cartões especiais. 

No mercado de celulose não integrada à produção de papel, o consumo está concentrado em aplicações como tissue (38,3%), papel cartão e papéis especiais (25%) e papéis gráficos (24,7%). Já no segmento integrado, a maior parte da produção está direcionada para embalagens, especialmente papelão ondulado. A evolução da demanda mostra uma tendência clara: a fibra curta segue ganhando participação global, enquanto fibras longas e outros tipos perdem relevância relativa. 

DESBALANCEAMENTO GLOBAL REFORÇA PROTAGONISMO DA AMÉRICA LATINA

Apesar de uma aparente distribuição equilibrada entre oferta e demanda global, a análise regional revela um desbalanceamento estrutural. A América Latina apresenta forte superávit na produção, enquanto regiões como Ásia, Europa e América do Norte operam com déficit. Esse cenário evidencia uma dependência global crescente da fibra curta produzida na região. 

Embora a América Latina concentre cerca de 40% da capacidade mundial, seu consumo interno representa apenas cerca de 6%, o que reforça seu papel como exportadora líquida. A demanda está concentrada principalmente na Ásia, com destaque para a China, além de América do Norte e Europa Ocidental. 

Um dos principais vetores dessa dinâmica é o baixo nível de integração da indústria chinesa. Grande parte da produção de papel e tissue no país depende da compra de celulose de mercado, o que eleva custos operacionais e aumenta a necessidade de importação. Nesse contexto, a América Latina se posiciona como fornecedora estratégica, oferecendo celulose de fibra curta com custo competitivo e escala industrial. 

CUSTO ESTRUTURAL E EXPANSÃO CONTÍNUA SUSTENTAM COMPETITIVIDADE

A competitividade da América Latina está diretamente associada a fatores estruturais. A região apresenta custos mais baixos de madeira, terra e mão de obra, além de ganhos relevantes de escala em plantas industriais de grande porte. A curva global de custo da produção de BHKP evidencia essa vantagem: produtores latino-americanos ocupam consistentemente as posições mais competitivas, o que sustenta sua presença nos mercados internacionais. 

Nos últimos anos, a região também ampliou sua participação no comércio global de celulose, substituindo gradualmente a Europa como principal fornecedora de fibra em determinados mercados. Ao mesmo tempo, observa-se um redirecionamento estratégico dos fluxos comerciais, com maior foco em mercados asiáticos, especialmente a China. 

A América Latina mantém ainda um ritmo consistente de expansão da capacidade produtiva. Desde 2014, em média, um novo projeto de escala global é iniciado ou ampliado a cada ano e meio na região. Esse movimento reforça a competitividade global e indica continuidade na liderança do mercado de celulose, mesmo diante de investimentos relevantes em outras regiões. 

O cenário apresentado no Pulp Summit Latinoamérica 2026 indica que a região deve continuar desempenhando papel central no mercado global de celulose. A combinação de custo competitivo, disponibilidade de recursos, escala industrial e demanda internacional crescente posiciona a América Latina como protagonista de longo prazo no setor.

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