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Indústria da celulose: 25 anos de transformações e liderança global

Brasil tornou-se o maior exportador global após fusões bilionárias, expansão florestal e megaprojetos de celulose

Nos últimos 25 anos, a indústria brasileira de celulose passou por uma transformação profunda, marcada por fusões históricas, megaprojetos e aquisições estratégicas. O movimento marcou o Brasil como o maior exportador mundial do setor, à frente de concorrentes como Canadá, Chile e países nórdicos.

INÍCIO DOS ANOS 2000: PRIMEIRAS CONSOLIDAÇÕES

O ciclo atual de crescimento começou nos primeiros anos da década de 2000. Em 2003 e 2004, a Suzano Papel e Celulose assumiu o controle total da Bahia Sul, em Mucuri (BA), ao adquirir a participação da Vale por US$ 320 milhões. Pouco depois, Suzano e Votorantim Celulose e Papel (VCP) se uniram para comprar a Ripasa, em Limeira (SP), operação que seria incorporada integralmente pela Suzano alguns anos depois.

O ano de 2009 marcou um ponto de inflexão com a criação da Fibria, a partir da fusão entre Aracruz Celulose e VCP. Com plantas em Três Lagoas (MS), Aracruz (ES), Jacareí (SP) e Eunápolis (BA), a empresa nasceu com capacidade de aproximadamente 5,3 milhões de toneladas/ano. No mesmo ano, iniciou a operação da fábrica de Três Lagoas, com produção de 1,3 milhão de toneladas/ano.

DÉCADA DE 2010: NOVOS PLAYERS E EXPANSÃO DO MS

Em 2010, a Bracell, então sob o nome Sateri/Bahia Specialty Cellulose, iniciou sua atuação no Brasil com a aquisição da Bahia Specialty Cellulose e da Copener, ambas na Bahia.

Dois anos mais tarde, em 2012, a Eldorado Brasil, ligada ao grupo J&F, inaugurou sua fábrica em Três Lagoas, com capacidade inicial de 1 milhão de toneladas/ano após investimento de R$ 6,2 bilhões.

Em 2015, a Fibria anunciou o Projeto Horizonte 2, expansão da unidade de Três Lagoas que adicionaria 1,8 milhão de toneladas/ano de capacidade. O investimento de R$ 7,7 bilhões foi concluído em 2017, elevando a produção da companhia para cerca de 7 milhões de toneladas/ano.

2018–2019: FUSÃO HISTÓRICA CRIA GIGANTE GLOBAL

Entre março de 2018 e janeiro de 2019, ocorreu a maior operação do setor até então: a fusão entre Suzano Pulp & Paper e Fibria. Avaliada em R$ 47,9 bilhões, a transação deu origem à Suzano S.A., líder global com capacidade de cerca de 11 milhões de toneladas de celulose/ano.

2020–2023: DIVERSIFICAÇÃO E INTEGRAÇÃO

O período seguinte foi marcado por aquisições e maior diversificação. Em 2020, a Klabin adquiriu os negócios de papel e embalagens da International Paper no Brasil, com unidades em Goiás, Manaus e São Paulo.

A Bracell, controlada pela RGE, concluiu em 2023 a compra da Lwarcel Celulose, em Lençóis Paulista (SP), com capacidade de 250 mil toneladas/ano, expandindo a operação para cerca de 2 milhões de toneladas/ano.

No mesmo ano, a Klabin adquiriu ativos florestais da Arauco no Paraná, somando 150 mil hectares, por US$ 1,16 bilhão. Já a Suzano comprou áreas equivalentes a 70 mil hectares em Mato Grosso do Sul, reforçando sua base florestal.

2024–2025: MEGAPROJETOS E NOVOS HORIZONTES

Em 2024, a Suzano inaugurou o Projeto Cerrado, em Ribas do Rio Pardo (MS), considerado a maior fábrica de linha única de celulose do mundo. Com capacidade de 2,55 milhões de toneladas/ano e investimento de R$ 22,2 bilhões, o projeto reforçou o Mato Grosso do Sul como coração da celulose brasileira.

No mesmo ano, a CMPC anunciou o Projeto Natureza, em Barra do Ribeiro (RS), com investimento de US$ 4,6 bilhões para uma unidade de 2,5 milhões de toneladas/ano, cuja operação está prevista para 2029.

Paralelamente, a Arauco avançou com o licenciamento do Projeto Sucuriú, em Inocência (MS), também de 3,5 milhões de toneladas/ano e investimento similar.

PANORAMA GERAL

De 2000 a 2025, o setor de celulose no Brasil se consolidou em:

  • Fusões e aquisições que criaram gigantes globais;
  • Expansão da capacidade produtiva com megaprojetos;
  • Fortalecimento de Mato Grosso do Sul como principal polo produtor do país.

Hoje, a indústria brasileira de celulose responde por parte essencial da balança comercial do país e segue em ritmo de expansão, impulsionada pela demanda global.

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