Indústria de celulose avança com IA em manutenção preditiva, logística e sustentabilidade
Na Veracel, Julia Camargo destaca como a tecnologia já transforma operações, fortalece metas ESG e redefine o papel dos profissionais do setor
A indústria de celulose, tradicionalmente reconhecida pelo uso intensivo de recursos naturais e processos industriais complexos, vive um momento de profunda transformação digital. Entre as tecnologias que vêm redesenhando esse cenário, a inteligência artificial (IA) desponta como protagonista. Empresas do setor já utilizam algoritmos e modelos preditivos para monitorar equipamentos, otimizar a colheita e reduzir impactos ambientais, e a tendência é de expansão acelerada.
Na Veracel Celulose, uma das líderes do segmento, a IA deixou de ser promessa para se consolidar como parte do dia a dia da produção. Segundo Julia Camargo, Coordenadora de Inovação e Transformação Digital da companhia, a tecnologia está presente em diferentes pontos da cadeia, da floresta à logística.
“A Veracel utiliza soluções em IA em diversas áreas de sua produção, desde o monitoramento florestal até a previsão de falhas em equipamentos industriais. Entre alguns exemplos, podemos destacar o uso de IA na fábrica para realizar o monitoramento preditivo de equipamentos e controles avançados para otimização de processos; na área logística, para a automação do carregamento de celulose com câmeras e leitores RFID; e no manejo florestal, para detectar anomalias nas plantações via imagens de satélite”, explica Camargo.
GANHOS OPERACIONAIS E EFICIÊNCIA NO CAMPO E NA FÁBRICA
No ambiente fabril, a inteligência artificial já demonstra resultados concretos. Os sistemas contribuem para melhorar a performance dos equipamentos, reduzir custos e ampliar a eficiência operacional. “Tanto no ambiente fabril como durante o manejo da floresta vemos ganhos em termos de agilidade e eficiência. A IA traz uma melhor performance dos equipamentos através do monitoramento preditivo e mais eficiência operacional, redução de custo através dos controles avançados”, afirma a coordenadora.
A manutenção preditiva é um dos campos em que a IA já se consolidou. Na Veracel, a prática foi implementada em 2020, inicialmente em fase piloto, e vem sendo aprimorada desde então. “A manutenção preditiva já é realidade. Para o futuro, esperamos conseguir expandir ainda mais o uso em áreas em que ainda não contamos com essa tecnologia, como na área florestal”, acrescenta.
CONFIABILIDADE E NOVOS PAPÉIS PROFISSIONAIS
A análise de dados em tempo real aumenta a confiabilidade dos ativos ao antecipar falhas, tornando as decisões técnicas muito mais assertivas. “Na Veracel, temos uma sala específica de confiabilidade com sensores, câmeras e algoritmos de IA que monitoram dados em tempo real, preveem falhas e garantem maior assertividade em decisões técnicas”, destaca Camargo.
Esse cenário também transforma o perfil do trabalhador da indústria. O profissional de manutenção, por exemplo, deixa de atuar apenas de forma reativa para assumir um papel estratégico e preventivo. “O profissional de manutenção tem, hoje, uma atuação mais estratégica e, sobretudo, preventiva, utilizando as informações provenientes da IA para antecipar erros ou falhas no maquinário”, observa.
IA COMO ALIADA DAS METAS ESG
Além da eficiência, a inteligência artificial tem ampliado as estratégias ambientais, sociais e de governança (ESG) das companhias. O monitoramento constante do consumo de energia e da emissão de gases é um exemplo prático desse impacto.
“A IA já tem se mostrado como importante aliada em termos de eficiência energética, controle ambiental, rastreabilidade e controle de recursos. Ela permite ter acompanhamento, em tempo real, dos níveis de consumo de energia e de emissão de gases, o que nos ajuda a rastrear e buscar formas de minimizar os impactos ambientais”, ressalta Camargo.
Entre as ações apoiadas pela tecnologia estão o manejo inteligente, a análise da qualidade das mudas, o monitoramento via satélite e a logística automatizada. Todas contribuem, direta ou indiretamente, para a redução de insumos, do consumo de energia e da emissão de CO₂.
DESAFIOS DE INTEGRAÇÃO E CULTURA DIGITAL
Apesar dos avanços, a adoção da IA ainda enfrenta barreiras. Para Julia, as principais dificuldades são a integração com sistemas antigos e a preparação das equipes: “Os dois maiores desafios são a integração entre os sistemas antigos e as novas tecnologias, além da preparação das equipes para estarem aptas a operarem com o que há de novo em termos de IA. O maior desafio que temos quando falamos de IA e de tecnologia de uma maneira geral é a cultura. As tecnologias escalaram em uma velocidade absurda e precisamos fazer o mesmo com a cultura”.
A Veracel criou um Comitê de Inovação e Transformação Digital justamente para intensificar essa transição e estimular uma mentalidade adaptativa dentro da organização.
O FUTURO DO SETOR
Nos próximos anos, a expectativa é que a IA se torne ainda mais estratégica, especialmente no campo, onde desafios como conectividade exigem soluções inovadoras. “A IA continuará sendo, cada vez mais, uma forte aliada em termos de produção, competitividade e sustentabilidade. O papel do novo engenheiro deve ser, essencialmente, o de ter uma capacidade analítica e de interpretação avançada, utilizando a IA como uma expansão de suas habilidades e tomando decisões baseadas em dados”, explica Julia.
Ao refletir sobre o impacto da tecnologia, a executiva é categórica: a inteligência artificial já deixou de ser promessa distante para se tornar parte essencial da competitividade do setor.
“A inteligência artificial não é mais um futuro distante, ela já está entre nós, como uma aliada do presente. Seu papel não é substituir o conhecimento humano, mas ampliá-lo, permitindo decisões mais rápidas, precisas e sustentáveis. O verdadeiro impacto acontece quando a IA está a serviço da estratégia da empresa, conectada aos objetivos de negócio e sustentada por uma cultura que valoriza aprendizado, confiança e inovação”, conclui a coordenadora.












