MercadoNotícias

Indústria de celulose impulsiona hotelaria e economia no leste de Mato Grosso do Sul

Paradas de manutenção em fábricas elevam demanda por hospedagem e movimentam milhões na economia local

O avanço da indústria de celulose na costa leste de Mato Grosso do Sul tem gerado impactos que vão além das operações industriais, refletindo diretamente na economia local e na estrutura de serviços. Dados do Observatório do Turismo de MS indicam que, nos últimos anos, a região registrou crescimento de 55% na oferta de hotéis, movimento intensificado em períodos de paradas gerais nas fábricas.

Um exemplo recente é a parada programada da Suzano em Três Lagoas (MS), que levou a rede hoteleira da cidade a atingir 100% de ocupação. O fenômeno também se repete em outros municípios com presença ou projetos industriais, como Ribas do Rio Pardo, Inocência e Bataguassu (MS), evidenciando o efeito multiplicador da cadeia de celulose.

Neste mês, a parada industrial em Três Lagoas é tratada como uma espécie de “alta temporada” local. Durante o período de manutenção, a unidade interrompe a produção para inspeções, melhorias operacionais e substituição de equipamentos, preparando-se para um novo ciclo produtivo com duração estimada entre 15 e 18 meses. A movimentação atrai profissionais de diversas regiões do país e deve injetar cerca de R$ 350 milhões na economia do município, segundo estimativas da prefeitura.

A operação, iniciada em 5 de abril e com término previsto para 4 de maio, mobiliza aproximadamente 2,3 mil trabalhadores e 120 empresas prestadoras de serviço. Dividida em duas etapas, de 5 a 14 de abril na fábrica 1 e de 15 de abril a 4 de maio na fábrica 2, a parada elevou a demanda por hospedagem ao limite, sem disponibilidade de vagas em hotéis da região durante o período.

De acordo com levantamento do Observatório, os municípios de Aparecida do Taboado, Bataguassu, Inocência, Paranaíba, Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas somam, em 2026, 31 meios de hospedagem e 3.152 leitos. Em 2019, eram 20 estabelecimentos e 2.209 leitos, o que representa aumento de 55% no número de hotéis e crescimento de aproximadamente 42,7% na capacidade de hospedagem em sete anos.

Três Lagoas concentra mais da metade dessa estrutura, com 18 meios de hospedagem e 2.552 leitos, segundo a plataforma Alumia. Esse protagonismo se reflete diretamente na taxa de ocupação durante grandes eventos industriais, como as paradas de manutenção.

Dados da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura confirmam que a ocupação hoteleira atingiu 100% durante o período, cenário também verificado diretamente com estabelecimentos locais.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação de Três Lagoas, Marcos Antônio Gomes Júnior, afirma que as paradas industriais, realizadas em média a cada 18 meses, têm impactos relevantes em diversos setores da cidade. Segundo ele, esses períodos funcionam como uma “alta temporada”, sustentando o comércio local e ampliando a arrecadação, especialmente por meio do ISS.

O município também vem se consolidando como polo da construção civil voltado à indústria de celulose. Empresas globais como Valmet e Andritz estão ampliando presença na região, incluindo projetos de instalação industrial. Uma dessas iniciativas prevê a construção de um parque fabril com cerca de 50 mil metros quadrados, com potencial para centralizar atividades de manutenção do setor no país.

Atualmente, Três Lagoas conta com mais de dois mil leitos formais em hotéis cadastrados, além de uma rede complementar de alojamentos, permitindo receber mais de 10 mil pessoas simultaneamente, incluindo estruturas adaptadas para grandes contingentes de trabalhadores.

Fonte
Campo Grande News
Mostrar mais
Botão Voltar ao topo