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Integração chinesa, disputa por fibra e capex mais caro: os desafios da indústria de celulose no primeiro dia da Fastmarkets Forest Products Latin America 2026

Analistas e executivos de Fastmarkets, Arauco, Bracell, Klabin, Eldorado e Itaú BBA discutiram, no primeiro dia do evento, os principais desafios que atravessam a indústria global de celulose

Um dos temas centrais do dia foi a mudança estrutural na China. Patrick Cavanagh, Director of Market Insights Pulp da Fastmarkets, apresentou dados mostrando que a nova capacidade chinesa de celulose é majoritariamente integrada, e projetou que as importações de celulose de mercado pelo país não devem crescer até 2030. Praveen Singhavi, CEO da Bracell, reforçou essa leitura, chamando esse movimento de “a mudança estrutural mais relevante da indústria atualmente”, com quase toda a nova demanda chinesa sendo suprida por projetos integrados. A visão, no entanto, não é unânime: Cristián Infante, CEO da Arauco, discordou publicamente da projeção durante seu fireside chat, argumentando que o consumo per capita de celulose e papel na China cresce cerca de 6,5% ao ano, e que a crescente dificuldade do país em obter madeira competitiva deve sustentar, e não reduzir, a demanda por importação nos próximos anos.

A disputa global por fibra também apareceu como um desafio crescente. Marcos Madruga, International Timber Analyst da Fastmarkets, mostrou que os países do Sudeste Asiático, liderados pelo Vietnã, já respondem por mais de 70% das exportações de wood chips para a Ásia, enquanto fornecedores tradicionais como Brasil, Uruguai e Chile têm retido cada vez mais fibra para abastecer sua própria indústria de celulose, reduzindo os volumes exportados. Como resultado, os preços de wood chips de fibra curta seguem em alta em 2026, pressionados pela competição por matéria-prima e pelo custo de frete.

A rentabilidade também esteve no radar. Rodrigo Libaber, Chief Commercial Officer da Eldorado Brasil Celulose, apontou que a sobrecapacidade do setor de papel na China dificulta o repasse de preços por lá, o que limita a rentabilidade dos produtores chineses e, por consequência, também trava o avanço do preço da celulose. Cristiano Teixeira, CEO da Klabin, relatou que a companhia já está há três meses consecutivos sem vender uma tonelada de celulose de fibra curta para a China, redirecionando os volumes para Brasil, Argentina e Europa, onde os preços atuais são melhores.

Por fim, o custo do capital voltado a novos projetos também entrou na discussão. Daniel Sasson, Head of Latam Steel & Mining, Pulp & Paper, Agribusiness and Cement do Itaú BBA, avaliou que o cenário de juros mais altos, combinado à inflação dos custos de investimento observada desde a pandemia, elevou o patamar de preço da celulose necessário para viabilizar novos projetos greenfield no setor.

A Fastmarkets Forest Products Latin America Conference segue nesta quarta-feira, 12, último dia do evento em São Paulo.

Fonte
Fastmarkets
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