Klabin descarta grandes investimentos pelos próximos cinco anos e prioriza geração de caixa
Após concluir ciclo de aportes de R$ 30 bilhões, companhia afirma que eventuais investimentos serão pontuais e reforça recompra de ações como forma de retorno aos acionistas
A Klabin afirmou, nesta quinta-feira, 6, que não prevê realizar novos investimentos de grande porte no curto e médio prazos, após concluir, em 2025, um ciclo de aportes de aproximadamente R$ 30 bilhões voltado à expansão da base florestal e industrial e à modernização de suas fábricas.
Segundo o presidente da companhia, Cristiano Teixeira, caso novos investimentos sejam realizados, eles deverão ser pontuais e serão previamente comunicados ao mercado. A pausa diz respeito exclusivamente a projetos de expansão da capacidade produtiva, como a instalação de novas máquinas de papel ou grandes aquisições de ativos florestais.
A partir de agora, o foco da empresa estará concentrado na continuidade das operações e na manutenção dos ativos florestais.
“[O foco é] forte geração de fluxo de caixa livre. Não há investimentos significativos na Klabin nos próximos 5 anos. Se tiver investimento, vai ser marginal e a gente obviamente vai debater com vocês, trazer esse assunto. Nenhuma proposta vai ser feita para o conselho, não há expectativa nesse momento”, disse o executivo durante teleconferência com analistas para comentar os resultados financeiros do segundo trimestre.
Na ocasião, Teixeira também destacou que a recompra de ações passa a ser uma alternativa relevante para a alocação de capital e para a geração de retorno aos acionistas, diante da ausência de novos projetos de grande porte.
“Hoje, não temos nada com quatro, cinco, seis pontos [percentuais] acima do custo de capital para apresentar. Portanto, o ‘buyback’ (recompra de ações) é, sem dúvida alguma, sempre de forma objetiva, retorno”, afirmou.
O executivo acrescentou que a política de remuneração aos acionistas permanecerá inalterada, uma vez que oferece flexibilidade para distribuições entre 10% e 20% dos resultados. “Na nossa visão, hoje está bastante adequado o pagamento de 15%”, afirmou.
LUCRO RECUA, MAS DESEMPENHO OPERACIONAL SUPERA EXPECTATIVAS
No segundo trimestre, a Klabin registrou lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 227,1 milhões, queda de 52% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi impactado pela valorização do real, que reduziu as receitas de exportação, e pelo aumento dos custos de fabricação, pressionados pela alta dos insumos em meio aos conflitos geopolíticos.
Apesar da retração do lucro, a avaliação do mercado foi positiva. Analistas destacaram que, operacionalmente, a companhia apresentou desempenho acima das expectativas.
O Ebitda ajustado recuou 4%, para R$ 1,96 bilhão, mas ficou 10,1% acima das projeções do Itaú BBA e 4% superior às estimativas do Citi, que esperavam uma queda mais acentuada.
Outro indicador visto de forma favorável foi o custo caixa total consolidado por tonelada, métrica que representa a média integrada dos negócios da companhia. O indicador apresentou alta de apenas 1%, alcançando R$ 3.204 por tonelada.
Segundo Teixeira, os resultados refletem a resiliência operacional da companhia, mesmo diante de um cenário desafiador.
“Foi um trimestre operacionalmente forte com mercado e questões operacionais sob controle, mesmo em mercado desafiante. Estamos ganhando market share em produtos, sempre pela nossa diferenciação da fibra longa. E [temos] uma expectativa ainda muito boa pela frente”, afirmou.












