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Klabin encerra maior ciclo de expansão, mas ações seguem pressionadas apesar da recuperação da celulose

Após investir R$ 29 bilhões em cinco anos, empresa enfrenta desvalorização dos papéis; mercado revisa projeções enquanto segmento de celulose mostra sinais de retomada

A Klabin finalizou no ano passado o maior ciclo de expansão de sua história, resultado de um programa de investimentos que somou R$ 29 bilhões nos últimos cinco anos, voltado à ampliação florestal, ao avanço industrial e à modernização das unidades. Apesar do salto operacional, o movimento ainda não aparece no desempenho das ações, que acumulam queda de 19,20% em 12 meses, cotadas a R$ 18,89.

Durante encontro com investidores e analistas nesta terça-feira, 9, o diretor-geral Cristiano Teixeira afirmou não compreender por que os papéis ainda não reagiram às melhorias. Ele também descartou, por ora, o uso de recompra como instrumento de alocação de capital, embora o tema seja “discutido abertamente” pela gestão. “Papel de executivo não é ficar recomprando ação, é criar valor, trazer diferencial”, disse.

Para Daniel Sasson, analista do Itaú BBA, os papéis estão descontados, mas há motivos para isso. “A gente começou o ano com uma expectativa maior de Ebitda […] e o consenso do mercado foi corrigindo para baixo ao longo do tempo”, afirmou. O Ebitda ajustado da Klabin foi de R$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre de 2025 e chegou a R$ 2,11 bilhões no terceiro. A geração de caixa, porém, também ficou aquém do esperado, levando o BBA a cortar o preço-alvo de R$ 23 para R$ 21, mantendo recomendação de compra.

CELULOSE MOSTRA RETOMADA

Após um início mais forte, com preços chegando a US$ 600 por tonelada, o anúncio das tarifas norte-americanas, em abril, derrubou a cotação da celulose de fibra curta na China para US$ 500 em agosto. Com a estabilização do mercado, os valores voltaram a subir, chegando a US$ 544 por tonelada recentemente.

Mesmo com a recuperação, o Itaú BBA reduziu a média de preço estimada para os próximos dois anos, de US$ 620 para US$ 570 a tonelada. Sasson também destacou a verticalização de fabricantes de papel na China, que vêm investindo para produzir sua própria celulose, diminuindo a demanda pela fibra de mercado. “Isso me deixou com uma visão para o médio prazo um pouco mais conservadora”, disse.

O Citi, por sua vez, reiterou recomendação de compra, mantendo preço-alvo de R$ 28. O banco revisou suas estimativas de Ebitda ajustado da Klabin para R$ 1,9 bilhão no quarto trimestre de 2025 e R$ 8,5 bilhões em 2026, redução de 1% a 2% em relação ao modelo anterior. Para os analistas, a melhora dos preços da celulose e a resiliência dos segmentos de papel e embalagens, responsáveis por dois terços da receita, devem favorecer o desempenho das ações no próximo ano.

FOCO EM REDUÇÃO DA ALAVANCAGEM E POSSÍVEL AVANÇO EM CELULOSE FLUFF

Na reunião, Teixeira reforçou que a prioridade da Klabin em 2026 será reduzir a alavancagem financeira, atualmente em 3,6 vezes dívida líquida/Ebitda. A empresa projeta investimentos de R$ 3,3 bilhões em 2026, R$ 2,8 bilhões em 2027 e R$ 2,5 bilhões em 2028, com aportes de longo prazo variando de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões. “Pelo menos nos próximos cinco anos, buscaremos um nível de alavancagem seguro, e temos estudado áreas para novos investimentos depois desse período”, afirmou.

O executivo avalia espaço para um projeto de grande porte no Sul do Brasil, onde se concentra a maior parte das operações florestais. Uma fábrica de celulose fluff, destinada a produtos de higiene, como fraldas e absorventes, também está no radar. “Se esse tema [fluff] for para debate no conselho no próximo um ano e meio, projetaríamos de 36 a 38 meses para começar”, disse.

Questionado sobre ganhos com monetização de terras, como no caso da compra dos ativos florestais do Projeto Caetê, da Arauco, Teixeira disse que os impactos são mínimos no curto prazo. “Tem muito potencial por vir desse ativo [terras]. Talvez não no horizonte de dois, três anos, mas em dez anos será inacreditável”, avaliou.

Fonte
Valor Econômico
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