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Mato Grosso do Sul lidera investimentos na indústria de celulose no Brasil

Estado se consolida como polo do setor, enquanto novas fronteiras enfrentam desafios de infraestrutura

A indústria de celulose no Brasil segue investindo fortemente em estados tradicionais, com destaque para Mato Grosso do Sul, que atrai sucessivos projetos de grande porte. Enquanto isso, regiões emergentes, como o Mapito (confluência de Maranhão, Piauí e Tocantins), avançam lentamente como potenciais fronteiras para o setor devido a desafios de infraestrutura e logística.

De acordo com especialistas, áreas consolidadas, como Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, permanecem favoritas para novos empreendimentos. “Sempre tem alguém olhando oportunidades [no Mapito], mas até agora, nada de concreto”, comentou uma fonte do setor.

MATO GROSSO DO SUL: POLO EM EXPANSÃO

Em Mato Grosso do Sul, o setor já conta com quatro fábricas de celulose, sendo três da Suzano e Eldorado. A chilena Arauco está construindo sua primeira unidade no país, com capacidade de 3,5 milhões de toneladas anuais e um investimento de US$ 4,6 bilhões. A Bracell, por sua vez, aguarda licenciamento para uma nova fábrica em Água Clara (MS), projetada para produzir 2,8 milhões de toneladas por ano.

O estado identificou 1,5 milhão de hectares de pastagens degradadas que podem ser convertidas em áreas para plantio de eucalipto no “Vale da Celulose”. Segundo Jaime Verruck, secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, o objetivo é alcançar até oito fábricas nos próximos anos. “Entendemos que há espaço para a oitava fábrica”, afirmou.

Além disso, o estado busca diversificar sua cadeia produtiva com a instalação de fábricas de papel tissue, segmento no qual Suzano e Bracell já possuem operações.

MINAS GERAIS E O DESAFIO LOGÍSTICO

Embora enfrente desafios de logística e produtividade, Minas Gerais tem atraído o interesse de novos investidores graças à sua base plantada consolidada e mão de obra qualificada. O estado, sede de produtores como LD Celulose e Cenibra, planeja apresentar um pacote de iniciativas em 2025 para simplificar o licenciamento ambiental e atrair novos players da indústria.

O estado já nota maior interesse de potenciais investidores, inclusive do setor siderúrgico, de acordo com Adriana Maugeri, presidente da Câmara Setorial de Florestas Plantadas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). “Hoje, Minas é o Estado com maior base plantada. Tem cadeia instalada e desenvolvida e mão de obra qualificada”, disse Maugeri.

RIO GRANDE DO SUL E NOVOS PROJETOS

No Rio Grande do Sul, a chilena CMPC avança com a construção de uma segunda fábrica de celulose em Barra do Ribeiro (RS), com capacidade de 2,5 milhões de toneladas por ano. O projeto, estimado em US$ 4,6 bilhões, deve entrar em operação em 2029 e se soma à unidade já existente da CMPC em Guaíba (RS), que foi modernizada recentemente.

Enquanto novas fronteiras, como o Mapito, enfrentam obstáculos para se consolidarem, os estados tradicionais seguem liderando os investimentos na indústria de celulose, beneficiando-se de infraestrutura robusta e uma cadeia produtiva já estruturada.

Fonte
Valor Econômico
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