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Resultados da Suzano no 4º trimestre levantam expectativas sobre Klabin no setor de papel e celulose

Projeções indicam que empresas do setor devem focar na recuperação de volumes e na redução de custos

A Suzano, maior produtora mundial de celulose de mercado, divulgou na última quarta-feira, 12, seus resultados do quarto trimestre. Apesar da queda nos preços da celulose, a companhia registrou forte geração de caixa, impulsionada pela valorização do dólar e pelo aumento nos volumes vendidos.

Esse desempenho levanta questionamentos sobre as perspectivas para outras empresas do setor, como a Klabin, que adota um modelo de negócios distinto. Enquanto cerca de 80% da receita da Suzano vem da exportação de celulose, a Klabin mantém um portfólio mais equilibrado, com cada segmento — celulose, papel e embalagens — representando aproximadamente um terço do faturamento.

Com base nas projeções do mercado, a Klabin deve apresentar uma recuperação nos embarques de celulose em 2025, após um terceiro trimestre marcado por uma manutenção mais longa do que o previsto. O Citi espera uma retomada gradual, enquanto o Itaú BBA aponta para uma melhora sequencial na divisão de celulose, impulsionada por maiores volumes e menores custos, que devem compensar os preços mais baixos da matéria-prima.

No aspecto de matéria-prima, a Klabin utiliza tanto eucalipto quanto pinus, sendo a fibra longa a mais relevante, enquanto a Suzano se concentra exclusivamente na celulose de eucalipto (fibra curta), o que demonstra uma diferença nas estratégias de cultivo e produção.

Outro fator importante que afeta ambas as empresas é a valorização do dólar ao longo de 2024, que teve impactos distintos. Na Klabin, cerca de 15% dos custos e 25% dos investimentos em manutenção são dolarizados. Segundo Marcos Ivo, diretor financeiro da companhia, cada variação de R$ 0,10 no câmbio tem um impacto de R$ 160 milhões no Ebitda. Já a Suzano, embora tenha se beneficiado com o câmbio em sua receita, enfrentou um impacto negativo devido à exposição de sua dívida em dólares.

A forte correção nos preços da celulose em 2024, influenciada pela entrada de novos volumes no mercado, principalmente com a operação da unidade da Suzano em Ribas do Rio Pardo (MS), trouxe desafios para o setor. No entanto, há expectativa de recuperação gradual ao longo de 2025, ainda que de forma cautelosa.

Fonte
Valor Econômico
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