Retrospectiva 2024: expansão e investimentos consolidam o Brasil como líder no mercado global de celulose
Ano marcado por projetos bilionários e avanços no setor impulsiona o país a novos patamares de produção e exportação
Para projetar o futuro do setor de celulose em 2025, é importante revisitar os acontecimentos de 2024 – um ano que consolidou o Brasil como protagonista no cenário global. Com investimentos de peso, ampliações industriais e movimentos estratégicos no mercado, o país mostrou força e visão para os próximos anos.
NOVAS FÁBRICAS
Logo no primeiro semestre de 2024, a chilena CMPC anunciou seu plano de construir uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro (RS). Com um investimento de US$ 4,6 bilhões, a nova planta terá capacidade para produzir 2,5 milhões de toneladas anuais, superando a unidade da empresa em Guaíba (RS), que atualmente produz 2 milhões de toneladas por ano. Segundo a empresa, o investimento busca atender à crescente demanda global por celulose e fortalecer a posição estratégica da empresa na América Latina.
Outro projeto que deve expandir ainda mais a capacidade produtiva de celulose no país é o da Bracell, que anunciou a construção de sua nova fábrica em Mato Grosso do Sul. O investimento, estimado entre R$ 20 e R$ 25 bilhões, será realizado no município de Água Clara (MS), que possui cerca de 16,7 mil habitantes.
A planta, com capacidade de produção de 2,8 milhões de toneladas de celulose por ano, deverá gerar 10 mil empregos na construção e 3 mil na operação, marcando o estado como um polo estratégico para a indústria de base florestal.
ANDAMENTO DE OUTROS PROJETOS
No segundo semestre, a Suzano iniciou as operações de sua nova fábrica em Ribas do Rio Pardo (MS), denominada Projeto Cerrado. O empreendimento representa um investimento de R$ 22,2 bilhões e é considerado a maior fábrica de celulose de linha única do mundo, com capacidade de 2,55 milhões de toneladas anuais.
Além disso, a chilena Arauco avançou no planejamento do Projeto Sucuriú, também em Mato Grosso do Sul, ao obter a Licença de Instalação. O investimento, de US$ 4,6 bilhões, é o maior já realizado pela empresa e elevará sua capacidade produtiva no Brasil para 3,5 milhões de toneladas de celulose branqueada por ano. Com previsão de início das operações em 2027, a nova unidade deverá gerar 14 mil empregos durante a construção e 6 mil postos de trabalho na operação, consolidando ainda mais a presença da empresa no país.
AMÉRICA LATINA NO CENTRO DA PRODUÇÃO GLOBAL
Em agosto, especialistas discutiram o crescimento da celulose de fibra curta no mercado global. Este avanço se deve, em grande parte, à competitividade da América Latina, impulsionada pelos baixos custos de produção na região, sobretudo no Brasil e no Chile.
Apesar de um aumento nos custos de madeira no Brasil, a desvalorização cambial garantiu preços competitivos frente aos mercados europeu e norte-americano, no primeiro semestre. A expansão da capacidade de produção em países da América do Sul foi apontada como um dos fatores determinantes para o fortalecimento do setor na região.
As exportações de celulose do Brasil cresceram 19% no primeiro semestre de 2024, alcançando US$ 4,95 bilhões. O país se consolidou como líder global, destacando-se pela produção e capacidade de atender à crescente demanda internacional, com novos projetos e aumento da produção.
PREÇOS DA CELULOSE APRESENTAM RECUPERAÇÃO MODERADA
Após um período de instabilidade, os preços da celulose começaram a mostrar sinais de recuperação no segundo semestre de 2024. Apesar de quedas observadas em agosto, analistas indicaram que o mercado estava se estabilizando em um novo piso de preços.
De acordo com o Itaú BBA, três fatores sustentaram essa visão: a normalização dos níveis de estoque, a ampliação da diferença de preços entre fibra longa e fibra curta, que pode estimular a substituição de fibras, e os elevados custos de produção.
BRASIL COMO PROTAGONISTA GLOBAL
Para 2025, de acordo com um especialista do Portal Celulose, espera-se um cenário positivo, com foco no crescimento da produção de fibra curta. Este segmento deve registrar expansão, enquanto as fábricas de fibra longa podem enfrentar desafios.
A América do Sul, e particularmente o Brasil, continuará a se consolidar como o maior polo de produção de celulose, com novos projetos impulsionando o crescimento da região. As fábricas brasileiras devem se destacar pela eficiência operacional em relação ao Hemisfério Norte, e com isso, o país se posiciona como um líder estratégico no mercado global de celulose.
Os eventos deste ano serviram para evidenciar o papel do Brasil como protagonista neste setor. Grandes investimentos, avanços tecnológicos e a expansão da capacidade produtiva reforçam o país como um dos principais fornecedores de fibras renováveis no mundo. Com um futuro promissor e desafios à vista, o setor se prepara para 2025, com expectativas de novos anúncios e oportunidades de crescimento.






