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Retrospectiva 2025: o ano que reposicionou o Brasil como protagonista global da celulose

Exportações em alta, criação do Vale da Celulose, megaprojetos em Mato Grosso do Sul, expansão da silvicultura e uma forte agenda ESG impulsionaram a indústria rumo a um novo ciclo de competitividade global

Em 2025, a indústria brasileira de celulose ganhou um papel de destaque global, desenvolvida por um ciclo de exportações robusto, novos megaprojetos e uma agenda crescente de sustentabilidade e inovação. A seguir, uma retrospectiva dos principais acontecimentos, conforme cobertura especializada do Portal Celulose.

CRESCIMENTO RECORDE NAS EXPORTAÇÕES NO INÍCIO DO ANO

Logo no primeiro trimestre, o setor de árvores cultivadas registrou resultados recordes: o saldo da balança comercial atingiu US$ 3,73 bilhões, com a celulose respondendo por US$ 2,78 bilhões, um aumento de 24,4% nas vendas externas frente ao mesmo período de 2024.

A produção de celulose no país alcançou 6,95 milhões de toneladas, alta de 9,9%. Dessas, 5,38 milhões de toneladas foram exportadas, um crescimento de 14,8%. A diversificação dos destinos foi marcante: a China absorveu 34,7% a mais, a Europa 14,2%, e a Ásia/Oceania 30,6%.

CELULOSE IMPULSIONA O AGRONEGÓCIO

Em março, o agronegócio brasileiro alcançou o segundo maior valor da história para exportações no mês: US$ 15,6 bilhões, com a celulose responsável por US$ 988 milhões, um salto de 25,4% na comparação anual.

Esse resultado consolidou a celulose como um dos principais produtos da pauta exportadora, ao lado de soja, café e carnes.

A REDEFINIÇÃO INDUSTRIAL DE MATO GROSSO DO SUL: DO AGRONEGÓCIO À FORÇA DA CELULOSE

O ano 2025 marcou Mato Grosso do Sul (MS) como  o epicentro de investimentos em celulose. O estado viveu uma transformação estrutural, com a indústria de papel e celulose emergindo como motor de crescimento econômico regional.

A produção brasileira seguiu pressionando as exportações e tornou a celulose como um dos principais produtos de vendas externas do Centro-Oeste, comMato Grosso do Sul destacando-se como líder estadual nas exportações.

Com plantações de eucalipto atingindo 1,753 milhão de hectares, e previsão de chegar a 2,7 milhões em 2026, o estado mostrou seu protagonismo no cenário florestal nacional.

GRANDES INVESTIMENTOS E MEGAFÁBRICAS: NOVOS MARCOS PARA O SETOR

Ainda no início do ano, a Bracell confirmou a construção de sua sexta megafábrica de celulose no Brasil, no município de Bataguassu (MS). A planta terá capacidade anual de 2,8 milhões de toneladas e deve gerar até 10 mil empregos na construção e 3 mil na operação. Mais tarde, em dezembro, a Bracell obteve a licença prévia para a nova unidade.

Além disso, o Projeto Sucuriú, da Arauco, despontou como possível “game changer”: com capacidade projetada de 3,5 milhões de toneladas por ano, a obra, situada em MS, posiciona o Brasil para competir em escala global no mercado de celulose de fibra curta.

O país agora concentra dezenas de milhões de toneladas de nova capacidade em estudo ou desenvolvimento, e projeta liderar a expansão global entre 2025 e 2030.

VALE DA CELULOSE: NÚMEROS E IMPACTO NO EMPREGO

Em maio, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul aprovou a criação do “Vale da Celulose”, iniciativa que agrupa 11 municípios diretamente ligados à cadeia produtiva e formaliza um cinturão industrial dedicado à celulose no estado. A medida foi apresentada como um marco para coordenar investimentos, infraestrutura e políticas públicas locais, acelerando decisões sobre logística, habitação e serviços nos municípios envolvidos.

Ao longo do ano, o conceito do Vale mostrou-se além do papel: o território vem registrando geração massiva de empregos, com mais de 27 mil postos contabilizados apenas no primeiro semestre em Mato Grosso do Sul, entre obras, serviços e logística.

A pauta do Vale ganhou escala política: a expansão do arranjo produtivo entrou em discussão no Senado, o que sinaliza intenção de maior articulação federal e possibilidades de incentivos e normas específicas para o polo. A movimentação no Congresso reforça que, para a indústria avançar com menos fricção, será necessária coordenação entre esferas estadual e nacional.

DESAFIO DE PESSOAS: ESCASSEZ DE MÃO DE OBRA QUALIFICADA E EXPANSÃO LOGÍSTICA

Com a expansão acelerada de plantas e fábricas pelo país, a demanda por trabalhadores qualificados disparou. Estima-se a criação de 38 mil vagas na fase de construção e 13 mil postos fixos em operação nas próximas etapas. O déficit de formação técnica no setor florestal, especialmente em áreas como colheita, logística e operação industrial, é uma preocupação crescente, segundo entidades setoriais.

O crescimento acelerado despertou preocupações com infraestrutura urbana, moradia e serviços públicos, especialmente em municípios pequenos como Inocência (MS), cenário da futura fábrica da Arauco. Com cerca de 8 mil habitantes, a cidade verá um influxo significativo de trabalhadores.

Ao mesmo tempo, a expansão logística, rodovias, ferrovias, portos, entrou na pauta do setor, com a concessão da malha rodoviária estratégica e a promessa de novos investimentos em infraestrutura de escoamento. O setor debate, ainda, como conciliar crescimento com responsabilidade ambiental e social, e como garantir que a expansão não gere problemas estruturais nas comunidades envolvidas.

PREÇOS: REAJUSTES E SINALIZAÇÕES DE MERCADO

No campo comercial, 2025 foi marcado por poucos ajustes de preço, o que contribuiu para um cenário de maior estabilidade no mercado de celulose. A Suzano confirmou ajustes nos preços da celulose na Ásia e novos mercados, reflexo de dinâmicas sazonais, paradas programadas e expectativas de recomposição de margens.

ESG EM EVIDÊNCIA: RESTAURAÇÃO, CONSERVAÇÃO E BIOECONOMIA

A agenda ambiental entrou em pauta no ano de 2025: empresas do setor anunciaram ações de restauração de áreas degradadas, investimentos em saneamento local, e iniciativas de bioeconomia apresentadas em fóruns internacionais. Entre os destaques, a parceria da Suzano com o BNDES para restaurar 24 mil hectares e o financiamento aprovado para projetos de restauração foram amplamente cobertos.

A transição energética e produtos de base biológica ganharam holofotes: a Suzano teve sua tecnologia de gaseificação de biomassa reconhecida na COP30, e a Cenibra anunciou entrada no mercado de biocarbono de alta densidade.

Como parte da responsabilidade social e de operações, empresas investiram em infraestrutura local: a Arauco destinou recursos à ampliação da estação de tratamento de esgoto em Inocência (MS), mostrando o vínculo entre fábricas e serviços essenciais nas comunidades anfitriãs.

PERSPECTIVAS PARA O FUTURO

Com o setor fortalecido, as expectativas para 2026 incluem consolidação dos novos empreendimentos, como Bataguassu e Sucuriú, e a entrada em operação de unidades que prometem elevar a produção nacional de celulose a patamares históricos. A tendência de concentração de produção no Brasil, especialmente em MS, é clara.

A necessidade de mão de obra qualificada e de investimentos em logística e infraestrutura seguirá como desafio central, tanto para viabilizar os projetos quanto para garantir que a expansão gere desenvolvimento social e regional de forma equilibrada.

Mas, o ano de 2025 será lembrado como um marco de transição para a indústria de celulose no Brasil, com exportações recorde, megaprojetos em curso, redirecionamento estratégico de polos produtivos e crescente compromisso com sustentabilidade e inovação.

Entre infraestrutura, impacto social, compliance ambiental e competitividade internacional, a celulose brasileira entra numa nova era: mais ambiciosa, mais estratégica, e com grandes oportunidades.

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