A Suzano afirmou, na última sexta-feira, 10, que a escalada dos custos na cadeia global de celulose deve impactar diretamente os preços de produtos derivados, como papel higiênico, lenços de papel e fraldas. O movimento ocorre em meio à elevação dos custos de transporte e de insumos químicos, intensificada por tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Maior produtora mundial de celulose, matéria-prima essencial para itens de higiene e embalagens, a companhia abastece empresas como a Kimberly-Clark, responsável por marcas amplamente consumidas. Nesse cenário, a celulose tende a sofrer pressão de custos que se reflete ao longo de toda a indústria.
O aumento dos preços do petróleo tem sido um dos principais vetores dessa pressão, elevando despesas com transporte marítimo, rodoviário e ferroviário, além de impactar insumos químicos fundamentais para a produção de celulose, como soda cáustica e ácido sulfúrico.
“Com certeza haverá um aumento de custos em todo o sistema, em toda a cadeia de valor”, disse Paulo Leime, diretor-geral da Suzano para a Europa, Oriente Médio e África, à Reuters.
“Isso pressionará os preços do papel”, disse Leime. “Se essa crise continuar, a inflação deverá retornar a vários produtos, não apenas papel e lenços de papel”, acrescentou.
Apesar de a Suzano ter adotado estratégias de proteção contra a alta de algumas matérias-primas, como o petróleo, a empresa ainda enfrenta aumento de custos indiretos relevantes. A operação no Oriente Médio também tem sido impactada, com alterações logísticas e aumento de despesas no transporte de celulose.
Segundo Leime, a companhia passou a redirecionar cargas destinadas à região por rotas mais longas, incluindo o Mediterrâneo e o Canal de Suez, além de trechos rodoviários considerados caros na Arábia Saudita e Jordânia.
A alta nos preços da energia representa um desafio adicional para o setor de celulose, um dos mais intensivos em consumo energético na indústria global. Ainda assim, a Suzano afirma que sua produção não será afetada, uma vez que suas unidades são autossuficientes em energia.
“Os principais impactos são no custo do combustível”, disse Leime.
Desde o início do conflito, as ações da empresa acumulam queda superior a 15%, refletindo a preocupação do mercado com o aumento dos custos e seus efeitos sobre a rentabilidade do setor.












