Suzano aposta em eficiência operacional para sustentar crescimento nos próximos anos
Companhia projeta ganhos com ativos recentes, redução da alavancagem e avanços em celulose
O crescimento da Suzano nos próximos anos deverá ser sustentado principalmente pelos investimentos realizados recentemente, sem a necessidade de novas aquisições ou grandes projetos. A avaliação foi apresentada na última quinta-feira, 11, pelo presidente da companhia, Beto Abreu, durante encontro com investidores e analistas.
Segundo o executivo, a estratégia passa pela disciplina financeira, com foco na redução da alavancagem para 2,5 vezes a relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado, além do avanço do processo de substituição da fibra longa pela fibra curta, conhecido como “fiber-to-fiber”.
No mercado de celulose de fibra curta, o vice-presidente executivo comercial de celulose e logística, Leonardo Grimaldi, avaliou que o cenário segue positivo, mas alertou para o avanço da produção integrada de celulose na China, principal mercado da Suzano. De acordo com estimativas da companhia, esse movimento pode reduzir em 4,4 milhões de toneladas a demanda por celulose de mercado até 2029.
Por outro lado, a Suzano avalia que o crescimento orgânico da demanda e o avanço do “fiber-to-fiber” devem gerar uma demanda adicional positiva de 3,1 milhões de toneladas de fibra curta nos próximos quatro anos. Ainda assim, Grimaldi destacou a necessidade de ajustes na oferta global. Segundo a empresa, cerca de 15 milhões de toneladas de celulose, entre fibra curta e longa, operam atualmente no prejuízo. “É insustentável”, disse.
PRODUÇÃO E NOVOS VETORES DE CRESCIMENTO
No Projeto Cerrado, em Ribas do Rio Pardo (MS), a Suzano informou que a produção pode alcançar 2,7 milhões de toneladas em 2027, acima da estimativa anterior de 2,57 milhões, sem necessidade de novos investimentos. Inaugurada em 2024, a unidade é a maior fábrica de celulose do mundo e figura entre as de menor custo caixa do setor.
Outro destaque é o Eucafluff, produto desenvolvido a partir de fibra curta para aplicações tradicionalmente atendidas pela fibra longa, como absorventes e fraldas. No segmento de tissue, a companhia informou ganhos de participação de mercado tanto em volume quanto em valor.
“Temos investido em outras categorias, além do ‘tissue’, que tem margens melhores”, disse Luis Buenos, vice-presidente executivo de bens de consumo. Entre os exemplos estão lenços faciais e lenços umedecidos. Em novembro, a Suzano inaugurou uma nova unidade de tissue integrada à fábrica de Aracruz (ES), o que deve contribuir para ampliar a presença da companhia nas diferentes regiões do país.











