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Tecnologia, pessoas e eficiência pautam participação da Suzano no Pulp Summit Latinoamérica 2026

Durante o Talk Celulose ao vivo, o diretor industrial da companhia, Maurício Miranda, destacou aprendizados do Projeto Cerrado, desafios de mão de obra e o papel da digitalização no futuro do setor

Durante a primeira edição do Pulp Summit Latinoamérica, realizada na última quarta-feira, 25, o diretor industrial da Suzano, Maurício Miranda, participou do Talk Celulose ao vivo, que reuniu discussões sobre os rumos da indústria de celulose, com foco em eficiência operacional, formação de pessoas e transformação digital.

PROJETO CERRADO E APRENDIZADOS INDUSTRIAIS

Na conversa, o executivo compartilhou aprendizados do Projeto Cerrado, responsável pela maior linha única de produção de celulose do mundo. Um dos principais desafios, segundo ele, foi a definição da localização da unidade.

“O grande desafio foi escolher o site, Ribas do Rio Pardo (MS). Cada vez mais as grandes fábricas estão indo para dentro da floresta, uma vez que grande parte do custo está na madeira e o custo da madeira está muito ligado à logística”, afirmou.

A escolha, no entanto, trouxe impactos diretos sobre a disponibilidade de mão de obra. “As fábricas estão indo para locais onde a mão de obra não está disponível, especialmente em quantidade, mas principalmente em qualificação”, destacou.

Além disso, Miranda apontou a importância da escolha de parceiros e da estruturação do projeto. “Você tem que somar tecnologia, bons parceiros, pessoas e o entendimento de que a qualificação não está pronta. É preciso se estruturar para formar essa mão de obra, não só na construção, mas principalmente na operação.”

COMPETITIVIDADE E OPERAÇÃO EM ESCALA

Outro ponto abordado no Talk Celulose foi a busca por competitividade em um cenário global desafiador. Para o executivo, a escala da operação e a integração industrial são fatores decisivos.

“Uma linha única de alto volume já traz uma competitividade natural. Além disso, temos um raio médio estrutural da floresta de apenas 60 km”, explicou.

A unidade também se destaca pela integração tecnológica e energética. “Temos um sistema químico bastante integrado, além de gasificação por biomassa. Somos totalmente livres de combustíveis fósseis na produção”, afirmou.

Com a fábrica já em operação, os resultados iniciais indicam avanço consistente. “A gente conseguiu cumprir a curva de aprendizado em cinco meses e, no primeiro ano, já produziu acima da capacidade nominal”, disse.

PESSOAS COMO EIXO DA OPERAÇÃO

A formação de mão de obra foi apontada como um dos principais fatores de sucesso do projeto. “Cerca de 30% da mão de obra veio de outras plantas da companhia, outros 30% foram formados na região e o restante veio do mercado”, explicou.

A estratégia incluiu também a antecipação da capacitação das equipes. “A gente antecipou praticamente um ano a formação desse público, que participou do comissionamento e dos testes. Isso foi um fator de sucesso”.

Miranda também ressaltou o papel da troca entre gerações. “Essa mistura é muito positiva. Você tem uma geração mais nova, mais digital, e outra com muita experiência prática”.

DIGITALIZAÇÃO E O FUTURO DA INDÚSTRIA

Ao projetar o futuro do setor, o executivo destacou o avanço da digitalização e da inteligência artificial nas operações.

“Os modelos de machine learning já fazem parte da operação e não podem mais ser iniciativas isoladas. Precisam estar integrados ao modelo operacional”, afirmou.

Segundo ele, esse movimento deve transformar o perfil dos profissionais. “O operador vai atuar mais na tomada de decisão, com um perfil analítico. A inteligência vai operar para ele.”

VETORES DE TRANSFORMAÇÃO E ESTRATÉGIA INDUSTRIAL

Em entrevista ao Portal Celulose, Maurício Miranda ampliou a análise sobre os desafios do setor, destacando os principais vetores de transformação da indústria.

“A celulose hoje é um produto globalizado. A gente tem a fortaleza florestal como diferencial, mas não pode deixar de olhar para dentro da indústria, buscando eficiência constantemente”, afirmou.

Ele ressaltou a importância da inovação contínua e das parcerias tecnológicas. “Estar aberto a tecnologias e inovações que busquem maior disponibilidade, menor consumo de químicos e eficiência energética é fundamental”.

SUSTENTABILIDADE E GERAÇÃO DE VALOR

Outro ponto destacado foi a relação entre sustentabilidade e competitividade. “Quando a gente fala em redução de consumo de água e melhor uso de recursos naturais, isso traz diretamente maior competitividade”, explicou.

Para o executivo, a geração de valor é condição essencial para o setor. “É impossível compartilhar valor se a gente não conseguir gerar dentro do nosso negócio”.

FORMAÇÃO DE TALENTOS E RENOVAÇÃO DO SETOR

A atração e o desenvolvimento de novos profissionais também foram abordados como prioridade. “Programas de estágio, nível técnico e trainee são portas de entrada fundamentais para mostrar o setor e conquistar talentos”, afirmou.

Miranda destacou ainda o potencial de carreira na indústria. “É um segmento que ainda demanda conhecimento técnico e mostra que quem entra fica”.

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