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Vai fazer uma entrevista de emprego? Veja como se preparar para as perguntas mais comuns

Por Isis Borge, Diretora Executiva na Talenses e Sócia do Talenses Group

Por mais experiente que alguém seja, entrevistas de emprego sempre geram um certo frio na barriga. Afinal, trata-se de um momento de exposição, no qual somos convidados a falar de nós mesmos. Isso, para a maioria das pessoas, é bem mais desafiador do que parece.

O nervosismo costuma vir não só da importância do momento, mas também da imprevisibilidade. Será que o entrevistador vai fazer aquelas perguntas difíceis que exigem reflexão rápida e autoconhecimento?

O bom é que, embora cada entrevista tenha suas particularidades, existem perguntas que aparecem com frequência, independentemente do nível da posição ou do setor. Conhecê-las com antecedência e pensar em boas respostas é uma das formas mais eficazes de se preparar e de demonstrar clareza sobre sua trajetória e seus objetivos.

A seguir, listo as perguntas mais comuns em processos seletivos. Também compartilho o que o recrutador costuma buscar ao fazer esses questionamentos.

1. Fale um pouco sobre você.

Clássica e inevitável, essa pergunta costuma abrir a conversa. O entrevistador quer entender o que você escolhe destacar da sua trajetória. Responder de forma muito genérica ou lendo o currículo mentalmente não ajuda. O ideal é construir uma narrativa breve e coerente, que demonstre sua formação, experiências relevantes e motivações, com foco no presente e no que te traz até aquela vaga.

2. Por que você quer trabalhar aqui?

Mais do que avaliar entusiasmo, essa pergunta mede preparo. Candidatos que pesquisam a empresa, entendem o negócio e conseguem conectar seus valores pessoais à cultura da organização se destacam. Evite respostas genéricas, como “porque é uma empresa líder”. Mostre conhecimento sobre projetos, propósito ou desafios atuais que te inspiram a querer fazer parte do time.

3. Quais são seus pontos fortes e fracos?

Essa é uma das mais temidas, mas também das mais reveladoras. O recrutador não espera perfeição, mas sim autoconhecimento. Ao falar de um ponto de desenvolvimento, mostre consciência e atitude prática. Conte o que você tem feito para melhorar. Já ao citar seus pontos fortes, traga exemplos concretos de como eles aparecem no dia a dia.

4. Fale sobre um desafio profissional e como você o superou.

O objetivo aqui é entender como você reage diante de pressão, mudanças ou obstáculos. Escolha um exemplo real. Relate o fato com início, meio e fim, destacando sua contribuição na resolução da

questão. Evite respostas genéricas. Por exemplo, em vez de falar “fui muito resiliente”, relate como você colocou essa habilidade em prática durante o desafio.

5. Como você lida com feedbacks?

Essa pergunta é cada vez mais comum em empresas guiadas pelas culturas de aprendizado e crescimento. E, nesses casos, é importante demonstrar abertura e maturidade. Compartilhe uma situação em que um feedback te ajudou a evoluir. E, se receber feedback não é o seu forte, recomendo começar a praticar isso.

6. Onde você se vê daqui a cinco anos?

O entrevistador quer entender se há coerência entre seus planos e o que a empresa pode oferecer. O ideal não é responder com um cargo específico, e sim com a direção do seu desenvolvimento. Qual tipo de impacto que você quer gerar? O que gostaria de aprender? Como pretende crescer?

7. Por que você saiu (ou quer sair) da sua última empresa?

Essa é uma das perguntas que mais testam a elegância do candidato. Fale com objetividade e maturidade, sem críticas a antigos gestores ou colegas. Foque em motivações positivas, aprendizado, busca por novos desafios, mudança de contexto ou de cultura.

8. Qual foi sua maior conquista profissional?

Aqui, o foco está em resultado e propósito. Conte um caso concreto, de preferência recente, que demonstre contribuição clara para o negócio e satisfação pessoal. É uma ótima oportunidade para destacar suas competências e como elas se conectam à vaga que está pleiteando.

9. Que tipo de liderança ou ambiente te faz render melhor?

Cada vez mais, as empresas buscam entender se estão culturalmente alinhadas ao candidato desde o início. E essa pergunta ajuda a avaliar a compatibilidade da pessoa com o estilo de gestão e valores da organização. Seja honesto, prefira responder o que te ajuda a dar o melhor de si, em vez de tentar adivinhar o que o entrevistador quer ouvir.

10. Você tem alguma pergunta para mim?

Esse questionamento costuma encerrar a entrevista. E é um erro desperdiçar a chance de demonstrar interesse genuíno. Prepare ao menos uma ou duas perguntas. Pode ser sobre o time, os desafios da área ou as prioridades do cargo. Isso demonstra curiosidade e engajamento.

No fim, mais do que decorar respostas, o segredo está em refletir sobre sua própria trajetória e propósito profissional. Sempre pergunte o que for perguntado, evitando respostas ensaiadas. Entrevistas são conversas, não interrogatórios. O que mais impressiona quem está recrutando é a clareza com que o candidato conecta suas experiências, seus aprendizados e suas motivações ao que a empresa busca.

E lembre-se: o recrutador não espera ouvir respostas perfeitas, mas autênticas. Preparar-se é uma forma de respeito pelo tempo do outro, pela oportunidade que está sendo oferecida e por si mesmo. Quanto mais natural for a conversa, maiores as chances de deixar uma boa impressão.

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Isis Borge

Isis Borge é Diretora Associada e Sócia do Talenses Group. Com mais de 8 anos de experiência como engenheira e 14 anos no mercado de Executive Search, Isis tem uma trajetória consolidada em recrutamento para cargos de liderança e top management. Atualmente, ela lidera as divisões de recrutamento nos setores de Energia, Papel & Celulose, Indústria, Engenharia e Supply Chain da Talenses.
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